Postagens

Neurose e movimento interrompido por Eva Jacinto

Imagem
Neurose e movimento interrompido
Existem duas situações básicas que provocam dificuldades nos relacionamentos: uma delas é a identificação inconsciente com outro membro do sistema; a outra é a interrupção do movimento natural de “entregar-se a”. Esse movimento não pode completar-se adequadamente quando o anseio natural de entrega da criança a alguém que ela ama é interrompido (por exemplo por causa de situações como morte, doenças, ou outras circunstâncias que forçaram a separação). A essas interrupções seguem-se fortes sentimentos de mágoa, rejeição, desespero, ódio, resignação e angústia. (…) Quando as crianças não conseguem entregar-se à pessoa que amam, tendem a sentir-se inteiramente rejeitadas, como se houvesse algo de errado nelas, e suspendem o movimento amoroso. El dueño del sueño, de Noemi Vilamuza Sempre que, mais tarde na vida, quiserem entregar-se a outra pessoa, as lembranças da mágoa virão inconscientemente à tona e interromperão o movimento, de tal forma que a reacção …

Oração aos ancestrais

ORAÇÃO DE LIBERTAÇÃO - GRATIDÃO, INCLUSÃO E LUZ AOS ANCESTRAIS E A TODO O SISTEMA FAMILIAR⁠
"Gratidão queridos pais, avós e demais ancestrais por terem tecido o meu caminho, imensa gratidão pela imensidão dos seus sonhos que, de alguma forma, são hoje a minha realidade.
A partir deste ponto e com muito amor, dou luz à tristeza que houve nas gerações passadas, dou luz à raiva, às partidas prematuras, aos nomes não ditos, aos destinos trágicos.
Dou luz à flecha que cortou caminhos e tornou a calçada mais fácil para nós.
Dou luz à alegria, às histórias repetidas várias vezes.
Dou luz ao não dito e aos segredos de família.
Dou luz às histórias de violência e ruptura entre casais, pais e filhos e entre irmãos e que seja o tempo e o amor que volte a unir.
Dou luz a todas as memórias de limitação e pobreza, a todas as crenças desestruturantes e negativas que permeiem o meu sistema familiar.
Aqui e agora semeio uma nova esperança, alegria, união, prosperidade, entrega,  equilíbrio, ousa…

A criança interior ferida por Miguel Melo

A CRIANÇA INTERIOR FERIDA: UM PROBLEMA SOCIAL

A criança interior tem a ver com a criança natural e espontânea que todos nós já fomos. Ela corresponde ao núcleo mais íntimo do nosso ser. Ela se expressa pela capacidade de rir, de ser criativa, espontânea e capaz de ficar admirada com o mundo.

A nossa infância está marcada pela educação e diversas influências sociais recebidas na escola, na igreja, etc. Como adultos, somos condicionados por tais influências e elas determinam as nossas vidas. Se tivemos muitas restrições, punições ou feridas emocionais, a criança ferida pode parar de se desenvolver, se encapsular, e deixar de ser sentir liberdade de ampliar o gesto existencial. Repetimos muitos padrões familiares da infância nos nossos relacionamentos, nossas carreiras e nas nossas próprias famílias.

Encarar a criança interior requer coragem de querer transformar experiências e crenças negativas obtidas na infância e que afetaram negativamente a vida atual da pessoa. Quem experimentou re…

Aceitação x reclamação por Bert Hellinger

Imagem
Bert Hellinger e o surpreendente efeito de aceitar “tudo que me lamento, queixo ou acuso” By

O alemão Bert Hellinger, terapeuta e criador da cada vez mais popular “Constelações Familiares“, ou “Constelações Sistêmicas“, é autor de diversos livros sobre o que chama de princípios e leis dos relacionamentos humanos, como “A Simestria Oculta do Amor” e “O Essencial é Simples“, e deles vem uma série de aforismos profundos sobre auto-conhecimento e a cura de relações. Um deles, por exemplo, diz que “o critério para o que é bom é baseado no que traz alívio a alguém, o que traz alegria ou que reduz um estresse” (Acknowledging what is: Conversations with Bert Hellinger, 1999). Outro diz que “A experiência pode ser significativa apenas quando a deixamos pra trás. Significando: seguindo em frente, transformado” (On Life and Other Paradoxes: Aphorisms and Little Stories from Bert Hellinger, 2002). Mas gostaria de trazer um aqui que fala sobre a comunicação que usa o l…

Aceitar e tomar por Bert Hellinger

[ACEITAR E TOMAR - CONSTELAÇÃO FAMILIAR]

" Tomar é para mim um processo básico.Eu estabeleço um limite bem claro entre aceitar e tomar. O aceitar é benevolente.

Tomar algo significa: Eu o tomo assim como é. Esse tomar é humilde e concorda com os pais assim como eles são.

Quando eu faço isso, eu também concordo comigo mesmo, assim como sou. Isso tem algo de profundamente conciliatório, é como descansar, enfim.

Está além de qualquer julgamento; não é bom, nem mau. Quem se vangloria dos pais tampouco os tomou. A idealização também exclui o essencial"

Bert Hellinger, no livro "Constelações Familiares - o Reconhecimento das ordens do amor"


Honrar ou se submeter? Por Bert Hellinger

"Honrar ou se submeter

PARTICIPANTE Como é com a reverência e a submissão? Onde começa uma coisa e onde termina a outra? Onde estão as correlações e como se deve lidar com isso?

HELLINGER Muitas vezes o câncer ou também a obesidade se origina no momento em que uma mulher se recusa a se curvar perante a mãe. Então, essa mulher anda de cabeça erguida. Aqui, honrar e se submeter seria a mesma coisa. Quando é uma submissão com amor, então, isso é honrar.

Frequentemente a submissão é vivenciada da seguinte forma: quando alguém quer algo de mim e eu dou, preciso renunciar à minha dignidade. Mas aqui se trata de que alguém, finalmente, concorde com o seu destino assim como é. Em grande parte, o nosso destino é determinado através de nossos pais. De nossos pais temos o que somos e também o que nos falta. Os pais nos deixam um caminho livre e também nos limitam através deles mesmos, pelos seus destinos e sua origem, seja lá como for. Nesse sentido, quando nos submetemos com amor e concord…

Emaranhamento por Bert Hellinger

Emaranhamento

Uma das descobertas mais importantes da Constelação Familiar é o fato de que todos nós nos encontramos ligados aos destinos de nossas famílias das mais diversas maneiras. Existe na família uma consciência comum e inconsciente, um profundo movimento na alma, que não permite que alguém seja excluído, rejeitado ou esquecido. Quando acontece algo dessa espécie, mais tarde a pressão dessa consciência coletiva escolhe alguém para representar o excluído. A pessoa em questão se sente igual àquele que foi excluído. Ao invés da pessoa poder viver a própria vida, terá que viver a vida de uma pessoa excluída, encontra-se emaranhada com um destino estranho. Muitas dificuldades em uma família como, por exemplo, as que ocorrem entre pais e filhos, quando uma criança se comporta de modo estranho ou aquelas entre marido e mulher, quando de repente um percebe que o outro está tomando um rumo incompreensível, sobre o qual não tem controle, devem-se a esse tipo de emaranhamento. Sendo assim…